Galinheiro é uma intervenção urbana de arte pública do artista plástico André Amaral. Na praça Marinha do Brasil, um entre-lugar, o artista instala, dentro do cercado existente, uma projeção em áudio e vídeo da imagem de uma galinha ciscando. A grade ganha status de galinheiro. Uma situação brejeira, interiorana, em plena urbanidade carioca. Nas cidades sem portas, a cerca, o muro e a coleira deflagram distintas domesticações. Ao mesmo tempo, a galinha está enclausurada em sua própria condição contraditória: uma ave que apenas ensaia pequenos voos. De frente para a Enseada de Botafogo, o gradil marca uma dicotomia entre a fortificação e o mar de horizontes longínquos. Uma intermitência na paisagem de uma cidade imanente. A praça, a ágora, guarda o resquício utópico do encontro, da liberdade. A imagem da galinha é projetada sobre a tela, não mais do galinheiro, virtualmente ideográfica. Faz-se cinema. “O efeito do real parece suplantar a realidade imediata”. Cria-se a interferência, quebrando as mensagens publicitárias, políticas, arquitetônicas, urbanísticas.