Em meio aos desafios da urbanização capitalista contemporânea e em busca por cidades mais inclusivas, equitativas e ecológicas, as “intervenções colaborativas” representam um fenômeno emergente nos espaços públicos urbanos, destacando-se dos projetos de espaços públicos convencionais por envolverem diferentes atores sociais. A presente dissertação tem como foco o estudo destas intervenções, a definição de suas principais características e reflexões acerca de sua relação com o espaço público, em especial com os da cidade do Recife. Para ilustrar essa relação, são abordados três estudos de caso que representam diferentes abordagens da colaboração em diferentes territórios: a RioTeca da Vila Santa Luzia, o Jardim Secreto e as Praças da Infância. Por meio de uma abordagem teórica-metodológica que envolveu pesquisa de campo, entrevistas e análise documental, a dissertação apresenta a caracterização das três intervenções, explorando aspectos como situação preexistente, implantação, gestão, usos e atividades praticadas. Ao conectar esses casos com conceitos teóricos de espaços coletivos, insurgentes e comuns, o trabalho visa a contribuir para o entendimento das interferências que os processos de colaboração têm nas cidades. Ao final, por meio da análise das intervenções colaborativas do Recife, a investigação traz ponderações acerca de como essas práticas podem contribuir para a construção de espaços para a coletividade, apropriados de diversas formas por diferentes pessoas, voltados à promoção de uma convivência mais inclusiva e sustentável.
Palavras-chave: Urbanismo Colaborativo; Intervenções Colaborativas; Espaços Públicos; Espaços Coletivos; Recife.