Intervenções Temporárias no Rio de Janeiro

Laboratório Urbano Oswaldo Cruz

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Publicação: Relatório - Laboratório Oswaldo Cruz
Autor: LabIT-PROURB (Laboratório de Intervenções temporárias e Urbanismo Tático-Programa de Pós-graduação em Urbanismo da FAU/UFRJ): Adriana Sansão Fontes (Coordenadora geral), João Pedro Oliveira Pompeu de Pina (Coordenador executivo), Gabrielle Queiroz da Rocha (arquiteta e urbanista), Giovana Bulcão Leal (arquiteta e urbanista) e Ingrid Monteiro de Sousa (estagiária)

O Laboratório Urbano Oswaldo Cruz: Urbanismo tático para um bairro sustentável consiste na qualificação dos espaços públicos por meio da implementação de intervenções de urbanismo tático no bairro de Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Esta iniciativa é um desdobramento do Projeto Piloto de Corredores de Sustentabilidade da Prefeitura, alinhado ao Plano de Desenvolvimento Sustentável e Ação Climática (PDS 2030) do Rio de Janeiro. Seu objetivo central é empregar o conceito da “Cidade de 15 minutos” para enfrentar os principais desafios do bairro em relação ao desenvolvimento urbano sustentável, mobilidade, adaptação climática e infraestrutura verde.

Localizado na zona norte do Rio, Oswaldo Cruz é um bairro predominantemente residencial, de classe média baixa, com cerca de 40 mil habitantes e reconhecido por seu valor cultural como berço da escola de samba Portela. Sua estrutura urbana é caracterizada por calçadas estreitas, pouca arborização e uma área excessiva de pavimento dedicada a automóveis, o que compromete a segurança dos pedestres. O bairro enfrenta alto risco de ondas de calor e inundações, de acordo com o PDS 2030. Os desafios-chave incluem a necessidade de espaços públicos seguros e com manutenção, a falta de condições para mobilidade ativa e a degradação do Rio das Pedras.

O projeto é liderado pelo Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PROURB-FAU/UFRJ) e conta com uma equipe multidisciplinar de 8 profissionais. As parcerias estratégicas incluem a Superwien Urbanism (estúdio de planejamento urbano de Viena) e diversos órgãos da Prefeitura como EPL/SUBPAR, Subprefeitura, CET-Rio, FPJ, SECONSERVA, COMLURB, Rio Luz e Guardiões do Rio (SMAC). O engajamento é amplo, envolvendo múltiplos atores locais, como escolas, quilombos, associações de moradores, centros comunitários e a Portela.

O método de intervenção combina projeto participativo com o urbanismo tático. O projeto participativo estabelece a co-responsabilidade entre poder público e sociedade, utilizando uma “caixa de ferramentas” para engajamento e cocriação, o que garante o protagonismo comunitário no diagnóstico e na espacialização das ideias. Já o urbanismo tático se baseia em ações de curto prazo, baixo custo e escaláveis para promover transformações rápidas. Os objetivos cocriados visam: assegurar infraestrutura básica, estimular o comércio e serviços locais, melhorar a mobilidade ativa e a acessibilidade, e requalificar o Rio das Pedras por meio do incremento de vegetação urbana e áreas produtivas (como jardins de chuva e hortas comunitárias).

Para garantir a sustentabilidade, o projeto propõe parcerias entre o poder público e atores sociais locais para a manutenção dos espaços, além da realização de oficinas de capacitação e a criação de uma cartilha de manutenção, entregue à comunidade para conscientização sobre o bem comum. O urbanismo tático, em sua essência, facilita a articulação social que converte práticas comunitárias em políticas públicas eficientes e replicáveis.

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