O presente trabalho discorre sobre o encontro entre os ecofeminismos e o campo da arquitetura da paisagem. Começando pela contextualização das crises multidimensionais, resultado da fictícia independência das cidades em relação à Natureza e um pensamento que subjuga tanto mulheres quanto Natureza. Nesse sentido, o trabalho percorre noções do campo dos ecofeminismos, do urbanismo feminista, da economia feminista e da cidade cuidadora, buscando estabelecer diálogos e convergências com a arquitetura da paisagem e suas derivações teóricas e práticas. O marco teórico do trabalho apoia-se nas contribuições de Alicia Puleo, Mary Mellor e Yayo Herrero, autoras centrais para o pensamento ecofeminista. Na arquitetura da paisagem, o introduz, percorrendo a história do campo e referências como Anne Whiston Spirn e Joan Nassauer, com o objetivo de mostrar as contribuições femininas na arquitetura da paisagem em contraste à realidade de um campo com referências predominantemente masculinas. A estrutura deste trabalho inicia-se na apresentação sobre os ecofeminismos, que inclui noções que se relacionam com o discutido no campo amplo dos feminismos. A partir da compreensão de diferentes conceitos e abordagens, realiza-se uma análise crítica do campo da arquitetura da paisagem, com foco na identificação de suas intenções fundantes e de possíveis convergências com atitudes e princípios ecofeministas. Na etapa empírica, a pesquisa analisa
diferentes atuações de grupos que, no significado ampliado de grupos ecofeministas, de alguma forma defendem, cuidam e buscam proteger a Natureza, grupos que estão situados no Sul da América do Sul, no território que abrange o bioma pampa. Ao final, a partir da discussão de todo o abordado na pesquisa, são organizadas táticas e estratégias de contribuição ao campo, sintetizando os resultados e reflexões desenvolvidos ao longo da pesquisa.
Palavras-chave: ecofeminismos, arquitetura da paisagem, projetar com a natureza, urbanismo feminista, cidade cuidadora.